...there's traffic in the sky and it doesn't seem to be getting much better...

Friday, May 20, 2005

Closer to heart attack

Esta janela da cafetaria de Serralves é hipnótica.
Fecho os olhos e quando os abro vejo aquela imagem, aquelas folhas naqueles ramos a dançar.
Ameaça chover mas ainda tenho algum tempo de espera pela frente.
As mãos que tremem esboçam riscos num papel e os segundos passam vagarosamente. A boca está seca e nem um gole de água mata tal secura. Sorrio nervosa para aquela janela e olho discretamente para a porta a ver se vem. Nunca vem quando olho. Abro a tampa do telemóvel para ver se tenho alguma chamada, alguma mensagem, algum sinal de comunicação. Mas nada. Tenho mesmo que esperar. Aquela janela com aquela imagem hipnotiza-me, apazigua a minha inquietação e faz o trabalho dual de parar e avançar rapidamente o tempo. Tiro da bolsa a revista e passo os olhos naquilo sem a menor atenção. O tempo passa vagarosamente. O som dos ponteiros do relógio prevalece face aos pequenos barulhos ambientes, o que junto com as mãos trémulas e frias, a boca seca e o bater do coração faz da espera um momento sufocante. Mas tem que ser.
Posso escolher levantar-me rapidamente, arrumar tudo, pagar e sair a correr. Vontade e coragem não andam de mãos dadas. Seria covardia da minha parte se o fizesse, mas a verdade é que estou farta de esperar. Estou impaciente, estou nervosa. Estas paredes parecem avançar em direcção a mim e a minha única escapatória é esta janela aqui ao meu lado. Serve de refúgio, olhar através dela acalma-me.
Olho mais uma vez para a porta, apago o cigarro, bebo mais um gole de água, fecho a revista, ponho-a na bolsa, tiro a carteira levanto-me e vou pagar.
Basta de espera.
Vou ver a fancaria artística no piso de baixo.
Desço as escadas e entro na galeria principal. Não me apetece minimamente estar aqui. Tudo tão asséptico, tão estilizado. Sinto que já vi isto um milhão de vezes, é sempre a mesma coisa. Que ridículo. O telemóvel toca. Já não estou nervosa mas sim irritada. Detesto quando isto acontece. Atendo em voz baixa, conversa da cueca que corto em menos de um minuto “porque estou a ver uma exposição e não posso estar a falar de “nada” além de não me estar a apetecer muito falar de “nada”.” Continuo a passear pela galeria asséptica e estilizada. A ver os quadros cuidadosamente colocados na parede, as obras estrategicamente postas no chão. Deve ser muito importante o autor, apesar de nunca ter ouvido falar deste novo “artista”. Porque é que ele não pega nestas obras de arte e não as põe á venda na Galp da A3? Estou sem paciência para flexibilidade estética. Vou embora, está decidido.
Saio da galeria principal, chego ao átrio e ainda estou indecisa se vou á livraria ou não… não, não vou. Vou mas é lá fora, vou mas é embora.
Através da passadeira de pedra que me encaminha até á saída penso em tudo e em nada.
Penso que vou fugir, que vou fracassar mais uma vez, que vou virar as costas para não olhar para trás uma vez mais. Penso que vou seguir o que sinto neste momento o que não será necessariamente o que sentirei amanha, mas o que na realidade estou a fazer. Que se lixe hoje que amanha sofro. Sim, vou fugir da realidade, do que ele me teria para dizer. Mais uma vez vou fugir ás palavras dele, mas desta vez não vou implorar que pare mas sim não dar oportunidade sequer de falar. Estou decidida em avançar para a frente com a covardia e nada me fará dar um passo atrás.
O carro está lá ao fundo e raios de sol rompem o escuro do céu. Parece quando tive em Sibford. Lá era assim. Belos tempos sem preocupações passionais. Continuo o meu caminho sem olhar para trás. Ouço chamar por um nome igual ao meu. O coração dispara de novo e as mãos trémulas mais uma vez escondem-se nos bolsos do casaco. Acelero o passo. De novo um nome igual ao meu ecoa naquela avenida. Cada vez mais perto, cada vez mais alto e acompanhado por pedidos de espera. Olho para o chão e continuo a andar, continuo a fugir. Até que uma mão agarra o meu braço, trava os meus passos e vira-me na direcção oposta. Não quero ouvir, não quero olhar. Mas os olhares cruzam-se de novo, o mundo para de novo. Não há palavras, só um olhar entre dois seres que nada cruza no seu caminho. E dessa paragem temporal e espacial, um novo círculo imerge.

Friday, May 13, 2005

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Se já não lembras como foi
se já esqueceste o meu amor
o amor que dei e que tirei,
não queria lamentar depois.
Mas uma coisa é certa eu sei,
não tive nunca amor maior.
E ainda vivo o que te dei,
ainda sei quanto te amei,
ainda desejo o teu amor.
Não tenho esperança de te ver,
não sei amor por onde andarás.
Pergunto a todo o que te vê
e nunca sei como estás.
Agora diz-me o que farei
com a lembrança deste amor.
Diz-me tu que eu nunca sei,
se voltarei ou não para ti,
se ainda quero o que sonhei.

Pedro Ayres Magalhães.

Tuesday, May 03, 2005

Not dead but definitely dying

A TMN foi ao ar hoje. Logo hoje.
Primeiro os carregamentos não chegavam aos clientes, depois quando chegam não se consegue mandar mensagens (sms e mms) ou mesmo ligar, a não ser para o voice mail.
Passei uma semana sem dinheiro e sem coragem, quando arranjo dinheiro e coragem a TMN, que se orgulha de coisas como “mais perto do que é importante” ou mesmo “diga hoje o que não pode dizer ontem e que amanha não vai conseguir dizer”, lixa-me por completo. Whatever.